
(16/Out/2009)
Discurso de Daniel Horta Nova na comemoração do Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza na Casa Municipal da Cultura em Coimbra.
(Daniel Horta Nova viveu nas ruas do Porto durante quatro anos, tendo fundado depois uma associação de antigos sem-abrigo que apoia e tira da rua actuais sem-abrigo.)
«Ser sem-abrigo é estar no meio da multidão e sentir a exclusão», começou por explicar o orador, que deitou também por terra muitos “mitos” que a sociedade tem em relação às pessoas que não têm tecto.
«É uma pura mentira dizer que só está na rua quem quer, mas eu devo dizer que fui feliz na rua. Nunca tive problemas, vivíamos em comunidade e felizes, não havia ninguém a chatear a cabeça. Eu e os meus colegas da Associação de Apoio aos Sem-Abrigo temos saudades do tempo em que vivemos na rua. Isto é grave: a seguir ao álcool e à droga a rua é o terceiro maior vício do mundo», afirmou Daniel Horta Nova.
Formado em Comunicação Social, o responsável garantiu que «todas as pessoas são candidatas a sem-abrigo». «Eu já tive tudo na vida e de uma noite para a outra caí na rua», acrescentou.
E foi nas ruas do Porto que Daniel Horta Nova descobriu que «o sem-abrigo não é um marginal», mas sim «gente que ainda quer ser gente». Entre as melhores amizades que fez na rua encontram-se «advogados, médicos e pedreiros».
(…)
«O sorriso é extremamente importante para um sem-abrigo, vale mais que uma moeda», concluiu.
http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=4329&Itemid=111


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